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EU CRONISTA

Cronica escrita por: Julio Garcia

Barbosinha o Doutor

Essa veio do meu grande amigo Luiz Gonzaga, que nem sabe e muito menos permitiu que aqui colocasse o seu nome, mesmo por que nada comentei a respeito, mas vou arriscar, se ele não concordar proponho á ele um duelo, certamente vai aparecer na data e hora marcada vestido de André, de chapeu e facão enferrujado na cinta, mas minha proposta é outra, vou fazer aqui um cordeiro e veremos durante a janta quem bebe mais vinho, se beber mais que eu, tiro seu nome e excluo o texto, se eu ganhar além de publicar no blog como está, ainda vai ter que pagar a conta. Mas tenho certeza que não vai se importar pois bastante encho-lhe o saco para que crie um blog e escreva suas hístórias, digo assim por serem verdadeiras e não tenham duvida disso. Contou outro dia entre uma taça de vinho e outra que nos tempos de estudante em Fortaleza, além dos amigos de república conheceu numa tarde no buteco um sujeito chamado Barbozinha por ser filho do Coronel Barbosa, homem de posses e poder, dono de muitas coisas além de umas cabritinhas. Barbosinha, manco da perna direita, era boêmio de céu aberto, gostava de uma zona que só ele. Amizade feita e ja bem ambientado no povo, recebeu e aceitou o convite de ir até a fezenda para o aniversário do Coronel Barbosa. Sairam de carro domingo cedo, meio ressacados é claro e foram até Maranguape, terra se não me engano de Chico Anizio, e lá não foi dificil de encontrar a dita fazenda. No local ja dava pra ver o tamanho da comemoração, numa grande mesa estavam os Coronéis, com seus chapéus de couro e roupas brancas e quando digo brancas quero dizer, camisa, calça, paletó e sapato. De tolo não tinha nada e pode-se comprovar pois é tijucano de nascimento, e do mundo cidadão pois morou até em Sucre na Bolívia, onde certa vez esperando para uma reunião a secretária ao vê-lo com o paletó nos ombros o indagou._ Senior, nom quiere que guarde su saco? Assustado, não respondeu nada, onde ja se viu uma garota bonita mesmo na Bolívia, querer guardar o saco de um tijucano, _ Senior, insistiu a moça, _Puedo pegar su saco? Ficou numa situação decerto embaraçosa, mas logo foi socorrido e esclarecido que, o saco era o paletó. Foi logo chegando para mesa dos coronéis pois alí estava o que mais queria, varios litros Whisky doze anos, e não tinha ido lá pra beber cerveja. Ao se aproximar com os dois amigos de faculdade, o Coronel Barbosa veio recepcioná-los.

Bom dia, oxente, vocês são amigos de Barbosinha é? Sim somos. _Pois é, sabe que sou pai de Barbosinha? E se são amigos de meu filho podem se aprochegar, vamos beber. Eu tenho muita inveja quando vejo moços vistosos como vocês, estudantes. Sinto um aperto danado no peito não sabe, pois meu filho Barbosinha não tem jeito, ja fez vestibular na federal, e em todas as universidades do estado e nada do desgarmado passar, mas agora descobri que em Patos, na Paraíba não sabe, tem uma universidade que posso colocar Barbosinha, eu quero muito que ele seja doutor. Na segunda feira to indo pra lá pra acertar com o Reitor o tal do vestibular. Passada a festa, embarcaram no carro bem cedo e foram para Patos, na Paraíba, meio contra a vontade, mas Barbosinha foi junto. Chegando no predio foram logo procurar o tal Reitor que os recebeu com a maior urgência. _ Pois seu Reitor,dizia o coronel, to aqui com meu filho Barbosinha, menino bom e muito inteligente, eu quero que esse menino seja doutor não sabe. Quero que me diga sem rodeios quanto custa pra Barbosinha passar nesse tal de vestibular. O Reitor chamou sua secretária. _ Socorro minha filha, venha cá e traga a papelada que te pedi. Acertado o peço em trinta mil reais, Barbosinha recebeu a inscrição juntamente com o gabarito da prova que seria em trinta dias. Voltaram, felizes pra Maranguape, Coronel Barbosa enchia a boca ao dizer que o filho finalmente seria doutor advogado. Passado o mês Coronel Barbosa foi todo orgulhoso levar o filho para fazer e vestibular. Na volta batia nas costas do filho, _Barbosinha, tu vai ser doutor não sabe. Oxente pai, será que vou passar? Não me diga uma coisa dessas seu cabra, e pra que paguei aquela fortuna?

Dias depois o Coronel chama barbosinha na varanda da casa e da uma ordem._ Barbosinha meu filho, faça o favor pra seu pai, vá até o barbeiro e mande raspar a cabeça, corte tudo viu. _Mas pai, pra que oxente._ Oxente seu cabra, e depois de raspar o cabelo vamos fazer uma grande festa, pra comemorar sua entrada na Universidade. Contrataram o bife, banda de música, foguetório e tudo mais. No domngo pela manhã sairia o resultado do vestibular de Barbosinha. E logo que abriu a banca Coronel Barbosa foi pessoalmente buscar o jornal. Com o jornal na mão dizia ao jornaleiro, _ Aqui dentro ta o nome de meu filho Barbosinha, ele passou no vestibular, vai ser Doutor. Chegando em casa, folheou o jornal e nada de encontrar o nome do filho entre os aprovados. Barbosinha, por que teu nome tão ta aqui? Olha meu filho, amanhã nós vamos la ver o que aconteceu, oxente..

O Coronel bufava feito jegue, e mal amanheceu o dia estavam na estrada rumo á Patos na Paraiba pra resolver essa pendenga. Chegando lá, foi direto a sala do Reitor e com toda educação se dirigiu á secretária. _ Olha aqui mocinha, chame e bem rápido esse tal de Reitor ai, porque preciso ter com ele uma conversinha de pé de orelha não sabes. O Reitor entro na sala e falou._ Coronel Barbosa, quanta honra, no que posso lhe ajudar, Barbosinha como vai?

_ Olha aqui seu cabra eu vim aqui pra saber por que meu filho não passou no vestibular.

_ Coironel isso é impossível..

_ É não, o nome dele não saiu na lista.

O reitor se borrando todo chamou a sercretária.

_ Socorro minha filha, traga aqui o resultado do vestibular e a lista dos aprovados.

Conferido toda documentação constatou-se realmente que Boarbosinha não havia passado. Mas o que teria acontecido?

Os quatro debruçados sobre a mesa, descobriram que: Onde a resposta era A o Barbosinha colocou B e onde era C colocou A e assim sucessivamente até o final da prova, comprado então que o filho do Coronel Barbosa errou todas. O Coronel olhou pro filho. _ Oxente Barbosinha, como você é burro meu filho.

Resta a voce dar a sua opinão: Será mesmo que Barbosinha, manco de uma perna, boêmio que adora uma zona e podre de rico pela herança do pai, iria se dar ao trabalho que estudar numa universidade pra ser mais tarde Advogado? Qual a vantagem de trocar a zona pelo tribunal?

@Manchetedovale
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